Wednesday, December 7, 2005

O eletricista japonês

Há inúmeras versões desta estória. Mas a essência é mais ou menos assim: um japonês estava consertando a fiação elétrica de sua casa, em Hiroshima. Ao religar a chave geral, ouviu o estrondo da bomba atômica e, por instantes, achou que havia sido o culpado.

No blog da semana passada, publiquei um comentário sobre os camelôs do centro da cidade, mostrando duas fotos da rua 24 de Maio. No dia seguinte, ao passar por ali, dei de cara com a Guarda Civil Municipal retirando as barraquinhas. Por um minuto tive a mesma sensação do eletricista japonês.

Cafezinho caro

Na mesma 24 de Maio, tomo diariamente um café expresso em um local bem agradável, no mezanino da Galeria Ita, em frente à Galeria do Rock. O café não é lá essas coisas, mas o local é tranquilo, pouco movimentado, ao lado de uma loja de lãs, onde um grupo de velhinhas passa o dia tricotando.

A hora que eu chego para o café, umas três da tarde, a atendente está sempre dormindo, debruçada no balcão. Sem esboçar sequer um sorriso, ela vai até a cafeteira como quem tem uma bola de ferro amarrada às pernas, tira o café, serve, e volta para o balcão. Puxo conversa sobre seu horário de trabalho: das 7h às 18h. Mas ganha hora extra? “Meu patrão não quer nem me registrar”, responde resignada.

É preciso muito exercício de alienação para poder ter prazer em tomar um simples cafezinho neste País.

Santa Ceia

Quem gosta de astrologia e de Leonardo da Vinci não pode perder um artigo do astrólogo e filósofo português Paulo Viana Randow (que, pra ser sincero, não conheço) sobre a Santa Ceia. Ele descreve como, ao pintar esse quadro, o artista italiano representou cada apóstolo com um signo do zodíaco. Para lê-lo, clique aqui.

    

Santa Ceia, famosa ultimamente por causa do ”Código da Vinci”

Pelo sim, pelo não

Já que o blog de hoje enveredou para o campo do misticismo, vale a pena reproduzir aqui ( para quem não leu) uma outra historinha. Esta, a respeito de Albert Einsten, contada pela minha amiga Cida Tayar, ao fazer um comentário sobre o texto “O Deus das pequenas coisas”, do Zé Ruy Gandra.

Dizem que, certo dia, um vizinho viu o velho Albert pendurando uma ferradura sobre o batente da porta de entrada da casa. “O que é isso, professor?”, perguntou o vizinho, intrigado. “Dizem que dá sorte”, respondeu o mestre. “Mas o senhor acredita nisso?”, insistiu o vizinho. E Albert: “Não acredito, mas dizem que funciona, mesmo que a gente não acredite…” 

 

Posted by JLT at 02:49:06
Comments

One Response to “O eletricista japonês”

  1. Anonymous says:

    Grande Zé,
    a história da moça da cafeteria é a triste realidade deste País, onde a gente pensa que escravidão só existe nos rincões mais distantes..Em todo caso, se amanhã o Ministério do Trabalho fechar o estabelecimento…foi você, viu?

    Escrito por: A. Carlos em 2005/12/07 - 18:54
    Zé,
    você deveria relaxar um pouco. Tome seu cafézinho sossegado e deixe que a moça resolva o problema dela com o patrão…não dá para salvar o mundo.

    Escrito por: Márcia em 2005/12/07 - 23:53

    Ouça Zé,

    Estou morando no centro e realmente as ruas centrais viraram um camelódromo a céu aberto. A belle epoque acabou, disse Tatá Maria. O melhor símbolo da cidade é a Casas Bahia onde era o Mappin. Hambúrguer de jabá. Precisamos ter sensibilidade social para administrar o caos. É o baile dos horrores. Agora, no Natal, então…Eu continuo repórter, graças aos céus, e converso sempre com os mendigos de Santa Cecília, é uma pauta atrás da outra. Sobre astrologia: Emma de Mascheville tem um belo estudo que mostra como Michelângelo retratou 12 tipos de personalidades humanas nas figuras dos apóstolos de Cristo, a partir dos signos do zodíaco, um assunto antigo sempre atual. Sabia que uma procissão de espíritos vagueia pela rua Domingos de Morais?

    Abraço do canceriano João Teixeira
    às 10h10 de 08/12

    Escrito por: João Teixeira em 2005/12/08 - 12:11
    Já que é assim…
    Aproveito a oportunidade pra contar pra todo mundo que sou advogada funcionária de um escritório de advocacia e não apenas não sou registrada, como também não recebo 13º, nem férias remuneradas, nem plano de saúde, nem panettone no final do ano e, o pior de tudo, é que NUNCA recebo meu salário com menos de 10 dias de atraso (esse é o mínimo mesmo!).

    Pra contar o resto, preciso escrever um livro…

    Escrito por: Marcela em 2005/12/08 - 12:23
    Curtas do Zé. gostei.
    A moça do café, a moça do caixa do supermercado, a moça da sorveteria,……..
    Hoje de manhã estava ouvindo no rádio a notícia de uma garota de 13 anos,no Rio de Janeiro, que deu a luz na escadaria de um hospital. O bebê, prematuro de 6 meses ,caiu, bateu a cabeça nos degraus e está na UTI com traumatismo craniano.

    Escrito por: silvia felli em 2005/12/08 - 12:23
    Caro Zé.
    Estive a uns tempos atrás recebendo teus emails q apareceram do nada sem eu ter a mínima idéia do q se tratava,mas como só falava em politica(q detesto)pedi para ser desvinculado.
    Agora q o tempo me favorece com alguns minutos de relax defronte a esta máquina alienígena,vc poderia me incluir novamente na tua lista de mala direta.
    Caso ñ lhe seja incômodo ou inconveniente.
    Assim fico a par do q acontece nos bastidores da megalópole.
    Meu abraço saudoso.

    Ptrx*bigwave

    Escrito por: Bigwave em 2005/12/08 - 14:11
    Namaste
    Meu caro Zé.
    Estava lendo agora a tua crônica sobre o Tancredo escrita em 7 de Março. Credo!
    Da até medo lembrar desta tragédia.Algum dia alguém vai ter peito de explicar como uma pessoa saudável adquire uma doença inexplicavel de uma hora para outra daquela forma…neste dia essa pessoa receberá a queima roupa a mesma quantidade de chumbo q o Tancredo recebeu!
    Bem no meio do peito,por falar demais.
    O coronelismo impera e mata sem treguas neste país.
    Ptrx*

    Escrito por: Bigwave em 2005/12/08 - 14:19
    Escuta Zé, acho que esse exercício de observar o cotidiano do paulista está estressando vc.
    Tem um lugar que as três horas da tarde também é muito sossegado(deserto eu diria), embora não tenha nenhuma galeria do "Rock"(sempre em maiúsculo), e nem café expresso, mas dá prá tomar uma breja gelada com os amigos no bar do Ricardão.

    Escrito por: carlos em 2005/12/08 - 19:34
    Prezado PTRX,
    como deletei seu e-mail, agora necessito que vc o envie novamente para colocá-lo na minha lista de endereços. Mande para jl.teixeira@terra.com.br
    obrigado.

    Escrito por: J.Luiz em 2005/12/09 - 02:08
    A história do Einsten é igual à do espanhol: Yo no creo em brujas; pero que las hay, las hay

    Escrito por: Paulo em 2005/12/09 - 17:55
    Contam que o católico e o budista se encontraram, lado a lado, no cemitério, cada um fazendo o que sabia para reverenciar seus mortos. O primeiro colocou flores na campa, enquanto o segundo depositou um punhado de comida.
    - "Quando é que você acha que os espíritos virão comer isto daí ?" - perguntou o carólico, com uma proverbial a soberba jesuísta.
    - "Quando eles vierem cheirar as flores" - devolveu o budista.

    Escrito por: Enéas em 2005/12/10 - 14:18
    Caro e querido Zé,

    Entendo e compartilho de sua indignação com a situação da moça da cafeteria.. agora, só não entendo mesmo como é que você consegue, todos os dias, tomar tranquilamente seu cafezinho bem no meio da tarde!!

    Escrito por: Ana Pupo em 2005/12/11 - 23:22

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