Wednesday, April 19, 2006

Conspiração 2

Quando eu era apenas um promissor repórter de política e o PT apenas um promissor partido dos trabalhadores, perguntei ao Lula se ele acreditava que os militares deixariam-no assumir o poder, caso fosse eleito presidente da República. A resposta foi mais ou menos esta: ”O PT só poderá conquistar o poder quando contar com o povo nas ruas para garantir sua posse”.

O tempo passou. Não fui além de um promissor repórter de política. Ao contrário, o PT cresceu e venceu as eleições quando a democracia estava consolidada. Não precisou de ninguém nas ruas para garantir a posse.

Essa passagem me veio à memória, dia destes, porque estou com a ligeira impressão de que Lula só continuará no Palácio do Planalto se o povo sair às ruas para garantir a sua permanência no poder. Caso contrário, ele não chega nem às próximas eleições.

Se tiveram paciência para chegar até este parágrafo, caros leitores, já perceberam que continuo plantando minhas idéias no fértil terreno da especulação. Mas vocês hão de convir que não é preciso ser nenhum homem-do-tempo (que Deus o tenha) para vislumbrar nuvens carregadas no horizonte do nosso presidente.

Para mim, a “conspiração número dois” está clara: se o “Geraldo” não subir nas pesquisas e assim mesmo não conseguirem colocar o Serra em seu lugar (“conspiração número um”), o futuro de Lula é o impeachment. Antes mesmo de outubro.

As oposições já derrubaram todos os homens do presidente. Só falta ele, até hoje poupado, na minha imodesta opinião, porque os banqueiros preferem ver o diabo ao vice-presidente José Alencar e sua obstinação pelos juros baixos - e quem manda mais no Brasil, hoje, segundo o Luís Nassif (em quem acredito), são os bancos de investimento.

O PPS, ex Partido Comunista Brasileiro, inimigo figadal do PT e mestre em política de bastidores (afinal seus militantes viveram décadas na clandestinidade) já está tentando mobilizar a opinião pública pró-impeachment. Essa turma é profissional, não brinca em serviço. Enquanto isso, os demais partidos pavimentam o caminho legal via CPI dos Bingos.

Resta saber se Lula sairá como vítima do episódio e conseguirá mobilizar a opinião púbica a seu favor para garantir o mandato e, se for o caso, a reeleição. Não acredito nisso. Nem eu, nem o Cláudio Lembo. Em entrevista à Mônica Bergamo, domingo na “Folha”, com a voz da experiência, o atual governador paulista comentou a possibilidade do presidente colocar o povo nas ruas:

“Coloca nada! O brasileiro é insolidário. O Getúlio se matou e foi um silêncio em São Paulo. O Jânio renunciou, silêncio. O brasileiro ajuda na enchente, mas quando é política, vai para praia”.

 

Posted by JLT at 05:38:21 | Permalink | Comments (3)

Conspiração

Este blogueiro adverte: o artigo que vocês lerão a seguir é do gênero especulativo. Podem duvidar à vontade. Não é, porém, fruto apenas da minha imaginação. Baseia-se em fatos, ilações e um pouco de intuição de quem já assistiu filmes iguais a este no passado recente. 

Não estou sozinho. Os jornalistas José Afonso Primo, do site Radar Eletrônico, e Fernando José, da Jovem Pan, que circulam há décadas pelas entranhas da política, em São Paulo, foram os primeiros a detectar o movimento e cantar a bola: tucanos e pefelistas estão preparando um “Plano B” para colocar José Serra no lugar de Geraldo Alckmim como candidato a presidente.

Para mim, o que eles chamam de “Plano B” pode ser denominado mais corretamente como conspiração, na qual não duvido que até a “Folha de S.Paulo” esteja envolvida (talvez pela antiga amizade entre sua direção e o ex-prefeito). Bastou Alckmim sair candidato para o jornal começar a publicar acusações diárias contra o ex-governador e sua família - assuntos subestimados durante todo o seu governo.

Enquanto isso, nos meios tucanos e pefelistas fomenta-se a idéia de que o ”Geraldo” não está decolando. Na última pesquisa (CNT/Sensus), Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 20% do tucano. Ora, a campanha ainda nem começou. Basta o ex-governador subir seis pontos e Lula cair seis ( o que é corriqueiro em campanhas eleitorais) que ambos já entram naquela famosa faixa do ‘empate técnico’. 

Não tenho a menor intenção de votar no Alckmim, nem em qualquer candidato. Se votar em alguém, voto no Bira, o contrabaixista do Jô Soares. Fico tranquilo, portanto, para especular sobre a  conspiração contra o ex-governador. 

Quanto ao Serra, ele deu sua palavra de que essa hipótese não existe. Mas o ex-prefeito, como sabemos, não tem palavra.

Posted by JLT at 04:25:46 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, April 4, 2006

A decadência da TV Cultura

Ao me dar um endereço de uma loja na Lapa, minha professora de ginástica explicou que ficava perto da TV Gazeta. Na verdade, ela queria dizer TV Cultura. Na hora estranhei, mas depois, pensando bem, cheguei à conclusão de que para uma jovem como ela era pertinente confundir as duas emissoras. Elas estão, realmente, muito parecidas.

A primeira semelhança é a quantidade de intervalos e anúncios - alguns de qualidade duvidosa - que a nossa tevê educativa está colocando no ar. Outro dia, voltei para casa mais cedo só para assistir ao show da Maria  Rita, transmitido pela Cultura. Foi o anticlimax. A quantidade de intervalos comerciais era tanta que chegou a irritar. Parecia, mesmo, uma tevê do porte da Gazeta.

A confusão da jovem professora, porém, não advém apenas disso. A própria programação está ficando mais barata. Admiro e respeito a profissional Silvia Popovic. Mas se o seu programa fosse apresentado pela Claudete Troiano, por exemplo, não faria muita diferença (nada contra a Claudete Troiano, apenas quero dizer que não  é o formato de programa que estava acostumado a assisitr na Cultura).

Para piorar, o “ombudsman” da TV Cultura, Oswaldo Martins, agora quer acabar com o telejornalismo. Não sei por que um ombudsman está dando palpites desse tipo, pois, ao que se saiba, sua função é apenas ser ouvidor e porta-voz do telespectador. Uma pena, pois seu telejornalismo sempre foi respeitado, mesmo sofrendo pressão do governador de plantão, seja ele de que partido for.

A verdade é que nos governos Covas e Alckmim, a emissora começou a perder qualidade. Com o perdão pelo irresistível e infame trocadilho, os “alquimistas” tranformaram a TV Cultura em TV Gazeta. Vamos torcer para que os “covistas” não a enterrem de vez. 


Frase 

Paulo de Tarso Venceslau afirmou mais ou menos isto, ontem, na CPI dos Bingos: Como a Angela Guadagnin mudou! Quando deixei a Prefeitura de São José dos Campos por combater a corrupção, ela chorou; agora, ao absolver um corrupto que levou R$ 400 mil do valerioduto, ela dança. 

 

Posted by JLT at 04:12:24 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, March 29, 2006

Contagem regressiva

Perdoem-me pela falta de imaginação e por insistir neste assunto. Juro que é a última vez, mesmo porque a novela está chegando ao fim. Em poucas horas, finalmente saberemos quem é mais confiável: Martha Suplicy, ao nos avisar que José Serra iria abandonar a Prefeitura nas mãos de Gilberto Kassab; ou o atual prefeito, ao jurar com firma reconhecida que, se eleito, cumpriria o mandato até o fim.

Os jornais garantem que Serra anunciará sua candidatura a governador entre hoje e amanhã.Teremos, então, novamente que optar entre ele e Martha, pois não tenho a menor dúvida de que será ela a candidata do PT. O senador Aloísio Mercadante pode ir colocando o bigode de molho, pois as bases do partido estão “dominadas” pelo grupo da ex-prefeita. 

Meus amigos tucanos a favor da candidatura de Serra me desculpem, mas não vai ser assim tão fácil quanto vocês pensam. 

Não precisa ser nenhum Duda Mendonça para saber que Martha vai exibir à exaustão a gravação de Serra garantindo que não  renunciaria. Além disso, a petista terá os CEUs, a renovação da frota e os corredores de ônibus, o bilhete único e outras realizações bem aceitas pela população para mostrar.

Serra mostrará o quê, se terá cumprido apenas um ano de gestão? Falar somente em ética não fica bem para quem não cumpre a palavra. Alegar que irá tutelar Gilberto Kassab é outra conversa fiada. Não resiste ao primeiro debate - esse filme, aliás, já passou com dois outros protagonistas (Paulo Maluf e Celso Pitta) e o final todo mundo já conhece. 

Acompanhamos duas contagens regressivas: uma, para o lançamento do primeiro astronauta brasileiro; outra, para o lançamento da candidatura de Serra. Desconfio que vão os dois para o espaço.

Ilustração

Este blog tem o privilégio de passar a contar com a colaboração do ilustrador Sérgio Papi (cuja assinatura foi cortada da ilustração acima por este péssimo diagramador eletrônico que vos fala). Papi prometeu comparecer toda semana, mas não me iludo. Assim como no caso dos políticos, não se deve confiar nas promessas dos artistas.

Posted by JLT at 05:09:44 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, March 22, 2006

Fica, Zé!

No domingo, estava almoçando num restaurante bem caro, como convidada, e logo depois que entramos saíram o Gilberto Kassab, com um político do norte, qualquer coisa Jorge.  Se o Serra  abandonar a Prefeitura para ser candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, como tenho 72 anos, não sou mais obrigada a votar, nunca mais votarei. Um grande abraço, Maria Gilka”.

 
Esse desabafo foi enviado por uma nova leitora que fisguei, a artista plástica Maria Gilka. Retrata a indignação de muitos paulistanos que acreditaram em José Serra quando ele jurou que, se eleito, cumpriria seu mandato até o final. Estou sendo um pouco repetitivo, mas este assunto ainda está na ordem do dia.

Entre os admiradores de Serra, há aqueles que torciam para que ele saísse candidato a presidente, acreditando que o atual prefeito seria o melhor candidato do PSDB. Como comentei aqui na semana passada, são “os órfãos do Serra”. Mas há também aqueles que preferiam ver o prefeito cumprir o mandato até o fim. Quando estes últimos já respiravam aliviados porque ele havia mantido sua palavra, surge a possibilidade da candidatura ao Governo do Estado.

Se fosse para concorrer a presidente, os tucanos ainda teriam uma desculpa: ele seria candidato para ”salvar o País” de um segundo governo petista. Seria uma ‘missão’. Mas para deixar a Prefeitura após um ano de mandato e concorrer ao Governo do Estado não há nenhuma justificativa mais crível, a não ser o oportunismo. É bem provável que o prefeito decida permanecer no cargo. Sua dúvida, entretanto, já foi suficiente para manchar sua imagem.

Zé Serra sempre foi um político sem carisma, é verdade. Mas não podia ser chamado de demagogo, nem de ter posturas dúbias. Sempre passou a imagem de um homem sério, considerado uma exceção no mundo dos políticos profissionais.

A artista plástica Maria Gilka também pode ser considerada uma exceção, pois trata-se de uma mulher que não tem vergonha de revelar a idade. É uma jovem senhora do tempo em que os homens tinham palavra.

Sem coleira

Sei que esta informação não é do interesse de mais do que três ou quatro pessoas, mas só para constar gostaria de informar que depois de onze anos deixei a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Transportes. A partir de agora, trabalharei em projetos pessoais.

Como na fábula de um antigo jornalista, cujo nome não me recordo (pois estou ficando antigo também), durante estes onze anos empregado fui aquele cachorro de raça, frequentador de “petshops”, treinado e bem alimentado pelo seu dono. A partir de agora, passo a ser como um vira-lata, rodando por aí em busca de seu próprio sustento, mas, finalmente, sem coleira.

Posted by JLT at 04:37:43 | Permalink | Comments (1) »

Monday, March 13, 2006

Os órfãos do Serra

Muita gente lúcida acordou triste hoje porque o candidato do PSDB a presidente da República será Geraldo Alckmim. São os órfãos do Serra. Estão infelizes, em primeiro lugar, porque agora a reeleição de Lula está mais fácil; em segundo, porque Serra, na sua opinião, seria um presidente melhor. 

Concordo. O prefeito de São Paulo é mal-humorado, não tem carisma e, contrariado, chega a ser indelicado com seus comandados. Mas tirante suas idiossincrasias, é bem preparado, experiente, tem uma trajetória política de respeito. Entre os tucanos, é um dos poucos que ainda não traíram seu passado. Obstinado, passa a impressão de ter um projeto político para o País (o projeto do Alckmim parece ser apenas pessoal). 

Serra só poderia sair candidato, no entanto, se o PSDB criasse um clima, armasse uma grande manifestação, enfim, um “mise-en-scène” para que ele deixasse o Palácio do Anhangabau nos braços dos militantes tucanos, como o salvador da pátria - e não como mais um político mentiroso que jurou em vão ficar na Prefeitura até o final do mandato.

Não foi o que ocorreu. Aliás, nem sei se o PSDB tem militantes. De qualquer forma, não ouvi na barbearia, no táxi, na padaria, na mídia, uma só alma apelar por Serra. Nenhuma faixa, uma pichação, nada. O único apelo nesse sentido foi dele próprio. Teria sido melhor se ficasse calado. Acabou saindo do episódio marcado por uma postura dúbia que pode deixar sequelas. 

Desta vez, quando tinha chances reais, não era o candidato do seu partido. Com a experiência política de quem esteve lá, recentemente o ex-ministro José Dirceu declarou que Serra não seria eleito presidente, pois não era o candidato do “establishment”. Acertou.

O PSDB faz parte do “establishment” e seu candidato é Geraldo Alckmim. Conservador, experiente, religioso, neoliberal e privatizador, o governador é um homem do mercado que, se eleito, prosseguirá com a política econômica que vem desde o Governo Fernando Henrique. Portanto, ficamos assim: se tudo mudar, continuará na mesma. 

Opus Dei

Meus caros amigos órfãos do Serra. Não se assustem com o fato de Alckmim ser da Opus Dei. Fiz um curso em uma universidade da Espanha, dirigida por essa prelazia, e eles não são os bichos-papões preconizados pelo “Código Da Vinci”. São conservadores, sim, mas inteligentes, estudiosos e muito bem articulados. Dividem-se em numerários e extra-numerários. Os primeiros, celibatários, direcionam toda sua libido à causa; os segundos têm a missão de crescer e multiplicar-se, desde que - como se comentava no campus - no escuro, de camisola e bem rapidinho.

 

Posted by JLT at 01:54:51 | Permalink | No Comments »

Wednesday, March 8, 2006

Sul-Maravilha

O Sul-Maravilha é mais embaixo. Voltei das férias em Santa Catarina impressionado. Nas cidades por onde passei não havia garotos pedindo esmola nos semáforos, nem lixo nas ruas. Chama a atenção o grau de civilidade a que chegou esse Estado, comparado com outras regiões do Brasil. Será que o sulista é melhor do que o nortista?

Obviamente, a resposta é não - apesar de haver ainda quem defenda que o homem do hemisfério norte seja superior ao do hemisfério sul. Mas a verdade é que embora não sejam tão ricas quanto a de São Paulo, por exemplo, as sociedades sulistas são mais organizadas. Por quê?

Por causa do frio. As sociedades de regiões frias são mais organizadas e desenvolvidas economicamente do que as de regiões quentes. Seus habitantes, desde o início aprenderam a se organizar e planejar sua economia. Uma questão de sobrevivência. Morreriam de fome e frio se não construissem uma casa, não estocassem alimentos e não administrassem a energia. A economia planejada sempre fez parte do cotidiano dessas sociedades. Em um país assim fica fácil para qualquer governo implantar um plano de metas para décadas. Todo mundo entende e trabalha nesse sentido. Faz parte da sua cultura. Nem é preciso ter muito estudo.

Nos países tropicais, abençoados por Deus e bonitos por natureza, como o nosso, não há governo que consiga implantar um plano de pelo menos cinco anos. É tudo feito sem planejamento, às pressas. Um governo começa um projeto, vem o sucessor e não o termina, implanta uma nova política, o próximo muda tudo, e assim vamos nós, ao sabor dos ventos.

Pudera! Nossas casas nunca precisaram ser bem estruturadas. Uma cobertura de sapé já era o bastante para nos livrar do sol e da chuva. Nossos rios e florestas sempre nos deram peixe, caça e em nossas terras em se plantando tudo sempre deu o ano inteiro. Estocar energia para quê, se o sol sempre nasceu todos os dias? Enfim, como dizia um antigo slogan das antigas Escolas Urubatã, jamais foi preciso pensar no “futuro de amanhã”.

Por isso, temos tanta dificuldade em entender e implantar as políticas econômicas ditadas pelos países frios do Primeiro Mundo. Do Paraná para cima, nossa cultura é outra. Isso não nos faz piores nem melhores do que os sulistas, mas explica porque, nos últimos anos, muitos amigos e conhecidos se mudaram de São Paulo para Florianópolis: viver em uma cidade onde as pessoas não jogam lixo nas ruas e não há crianças pedindo esmolas, é muito mais agradável. Pelo menos no verão.

Posted by JLT at 00:36:01 | Permalink | No Comments »

Wednesday, December 21, 2005

O Sistema

Sempre desconfiei disso, mas agora, depois da revelação do ex-ministro José Dirceu, tenho certeza: o Sistema ainda existe e continua mandando nos governos, sejam eles quais forem.

Zé Dirceu usou a palavra “establishment” ao fazer essa revelação, noticiada pela Mônica Bérgamo na “Folha” de ontem. Mas o sentido é o mesmo de Sistema (disposição das partes de um todo, coordenadas entre si e que funcionam como estrutura organizada, segundo o Aurélio).

Mas quem integra o Sistema?  As multinacionais, os bancos, os grandes empresários nacionais, os latifundiários, os chefes militares e, obviamente, os americanos. A mídia é apenas um de seus tentáculos.

Na época da ditadura, quem escolhia seus títeres era o Sistema. Quando o regime militar chegou ao fim, muitos acreditaram que ele também havia acabado. Ledo engano. Ele nunca deixou de existir. Foi o próprio Sistema que acabou com a ditadura.

Anos antes disso acontecer, o então senador e oposicionista Franco Montoro revelou a um grupo de jornalistas - entre os quais esta testemunha ocular da história que vos fala - ter lido um documento no qual as “Sete Irmãs” (as sete maiores empresas do mundo) já aconselhavam o fim dos regimes de exceção na América Latina. Dito e feito. Em seguida, os  países latino-americanos foram se redemocratizando, um a um, sem maiores traumas.

O fato é que o Sistema, com algumas adaptações, continuou dando as cartas. Zé Dirceu está aí para confirmar. Trocando em miúdos, contou que os presidentes do Brasil pouco mandam. São meros delegados do Sistema (“establishment”) que, aliás, acrescentou, não deixará o Serra ser presidente, pois o atual prefeito paulistano é “muito independente”. Zé Dirceu ocupou o principal cargo do governo durante mais de dois anos. Ninguém  mais autorizado do que ele a fazer uma revelação dessa importância.

Fica fácil, portanto, entender a renúncia do Jânio, o Golpe de 64, a redemocratização, a ascensão e queda de Collor, FHC ter renegado o que escreveu, e a política econômica do Governo  Lula.

Não me iludo. Não se iludam. Nesse processo todo, o povo será sempre  coadjuvante.

Posted by JLT at 03:39:42 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, December 14, 2005

O homem ideal

Ao tomar meu cafezinho ontem à tarde na tal cafeteria da 24 de Maio, lembrei-me de um quadro que vi na parede do quarto de uma amiga minha, muitos anos atrás. Era a pintura de um homem tricotando. Sorri por dentro e pensei com meus botões: no fundo, no fundo, não é esse homem que ela quer para chamar de seu, como diria o tremendão Erasmo Carlos. 

Essa amiga mudou-se para o Nordeste, onde virou doutora, e casou-se com um cara que eu não conheço. Não sei se é um machão, ou se, figurativamente, é claro, tricota nas horas vagas. Só sei que o quadro na parede de seu quarto de estudante me ficou na memória.

Sou daqueles que deram a maior força quando as mulheres queimaram os sutiãs. E não foi somente pelo novo visual, nem pela reconfortante perspectiva de dividir as despesas. Achei que era hora, mesmo, de acabar com o machismo.  

No começo foi um pouco difícil adaptar-me à nova ordem, pois, jovem ainda, nem havia me tornado um machista e já era preciso deixar de sê-lo. Além disso, porque cheguei a ser confidente de uma feminista de carteirinha que estava na maior crise por ter se apaixonado por um machista de primeira linha. Foi aí que entendi a célebre frase de que o coração tem razões que a própria razão desconhece.

O fato é que vivi muito tempo tentando achar o ponto de equilíbrio entre o masculino e o feminino. Somente há alguns anos, encontrei a postura ideal. Hoje, abro a porta do carro para as mulheres, puxo a cadeira no restaurante, e - se possível - divido a conta. Está ótimo. 

Creio que neste início de século 21, chegamos finalmente a um consenso. Não há mulheres tão feministas, nem homens tão machistas. Há alguns homens que até tricotam. Lembrei-me do quadro na parede do quarto da minha amiga, ao ver um deles, ontem (foto), na loja da Lanofix, enquanto tomava meu café.

Grupo tricota em frente à loja da Lanofix, terça-feira à tarde.

 

 

 

Posted by JLT at 02:37:05 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, December 7, 2005

O eletricista japonês

Há inúmeras versões desta estória. Mas a essência é mais ou menos assim: um japonês estava consertando a fiação elétrica de sua casa, em Hiroshima. Ao religar a chave geral, ouviu o estrondo da bomba atômica e, por instantes, achou que havia sido o culpado.

No blog da semana passada, publiquei um comentário sobre os camelôs do centro da cidade, mostrando duas fotos da rua 24 de Maio. No dia seguinte, ao passar por ali, dei de cara com a Guarda Civil Municipal retirando as barraquinhas. Por um minuto tive a mesma sensação do eletricista japonês.

Cafezinho caro

Na mesma 24 de Maio, tomo diariamente um café expresso em um local bem agradável, no mezanino da Galeria Ita, em frente à Galeria do Rock. O café não é lá essas coisas, mas o local é tranquilo, pouco movimentado, ao lado de uma loja de lãs, onde um grupo de velhinhas passa o dia tricotando.

A hora que eu chego para o café, umas três da tarde, a atendente está sempre dormindo, debruçada no balcão. Sem esboçar sequer um sorriso, ela vai até a cafeteira como quem tem uma bola de ferro amarrada às pernas, tira o café, serve, e volta para o balcão. Puxo conversa sobre seu horário de trabalho: das 7h às 18h. Mas ganha hora extra? “Meu patrão não quer nem me registrar”, responde resignada.

É preciso muito exercício de alienação para poder ter prazer em tomar um simples cafezinho neste País.

Santa Ceia

Quem gosta de astrologia e de Leonardo da Vinci não pode perder um artigo do astrólogo e filósofo português Paulo Viana Randow (que, pra ser sincero, não conheço) sobre a Santa Ceia. Ele descreve como, ao pintar esse quadro, o artista italiano representou cada apóstolo com um signo do zodíaco. Para lê-lo, clique aqui.

    

Santa Ceia, famosa ultimamente por causa do ”Código da Vinci”

Pelo sim, pelo não

Já que o blog de hoje enveredou para o campo do misticismo, vale a pena reproduzir aqui ( para quem não leu) uma outra historinha. Esta, a respeito de Albert Einsten, contada pela minha amiga Cida Tayar, ao fazer um comentário sobre o texto “O Deus das pequenas coisas”, do Zé Ruy Gandra.

Dizem que, certo dia, um vizinho viu o velho Albert pendurando uma ferradura sobre o batente da porta de entrada da casa. “O que é isso, professor?”, perguntou o vizinho, intrigado. “Dizem que dá sorte”, respondeu o mestre. “Mas o senhor acredita nisso?”, insistiu o vizinho. E Albert: “Não acredito, mas dizem que funciona, mesmo que a gente não acredite…” 

 

Posted by JLT at 02:49:06 | Permalink | Comments (1) »