Conspiração 2
Quando eu era apenas um promissor repórter de política e o PT apenas um promissor partido dos trabalhadores, perguntei ao Lula se ele acreditava que os militares deixariam-no assumir o poder, caso fosse eleito presidente da República. A resposta foi mais ou menos esta: ”O PT só poderá conquistar o poder quando contar com o povo nas ruas para garantir sua posse”.
O tempo passou. Não fui além de um promissor repórter de política. Ao contrário, o PT cresceu e venceu as eleições quando a democracia estava consolidada. Não precisou de ninguém nas ruas para garantir a posse.
Essa passagem me veio à memória, dia destes, porque estou com a ligeira impressão de que Lula só continuará no Palácio do Planalto se o povo sair às ruas para garantir a sua permanência no poder. Caso contrário, ele não chega nem às próximas eleições.
Se tiveram paciência para chegar até este parágrafo, caros leitores, já perceberam que continuo plantando minhas idéias no fértil terreno da especulação. Mas vocês hão de convir que não é preciso ser nenhum homem-do-tempo (que Deus o tenha) para vislumbrar nuvens carregadas no horizonte do nosso presidente.
Para mim, a “conspiração número dois” está clara: se o “Geraldo” não subir nas pesquisas e assim mesmo não conseguirem colocar o Serra em seu lugar (“conspiração número um”), o futuro de Lula é o impeachment. Antes mesmo de outubro.
As oposições já derrubaram todos os homens do presidente. Só falta ele, até hoje poupado, na minha imodesta opinião, porque os banqueiros preferem ver o diabo ao vice-presidente José Alencar e sua obstinação pelos juros baixos - e quem manda mais no Brasil, hoje, segundo o Luís Nassif (em quem acredito), são os bancos de investimento.
O PPS, ex Partido Comunista Brasileiro, inimigo figadal do PT e mestre em política de bastidores (afinal seus militantes viveram décadas na clandestinidade) já está tentando mobilizar a opinião pública pró-impeachment. Essa turma é profissional, não brinca em serviço. Enquanto isso, os demais partidos pavimentam o caminho legal via CPI dos Bingos.
Resta saber se Lula sairá como vítima do episódio e conseguirá mobilizar a opinião púbica a seu favor para garantir o mandato e, se for o caso, a reeleição. Não acredito nisso. Nem eu, nem o Cláudio Lembo. Em entrevista à Mônica Bergamo, domingo na “Folha”, com a voz da experiência, o atual governador paulista comentou a possibilidade do presidente colocar o povo nas ruas:
“Coloca nada! O brasileiro é insolidário. O Getúlio se matou e foi um silêncio em São Paulo. O Jânio renunciou, silêncio. O brasileiro ajuda na enchente, mas quando é política, vai para praia”.


